sexta-feira, 18 de março de 2011

Música para as minhas entrelinhas!

"é que eu não preciso ouvir de você seu muito obrigado seu muito prazer
o que eu queria é um beijo rasgado
é que eu já cansei de rodeios sutis de ouvir que eu te faço segura e feliz
e tudo tão certo e inacabado
se é pra falar em pecado deixa que eu falo com deus de que daria errado
erros eu já tenho os meus
deixe que eu falo sozinha eu sei melhor me entender"

Para o morno que causo no sexo oposto!

Entrelinhas (Eu e ao meus quase campeonatos vencidos)

Perdoem esta tola que vos escreve, e que contraditoriamente e amargamente, a forte e imbatível, foi vencida pela sordidez bestiais dos sentimentos. Ela sempre é a mesma para todos os seguidores do sexo oposto.  Um Clássico com direito a prorrogação e pênaltis.
Primeiro é inatingível, desejada com um ardor extremo e como não seria?  Têm formas apetitosas, seios fartos e boca carnuda e quente que desperta a imaginação de todos os companheiros tão homens quanto sórdidos. De fato imaginam sobre  maquina predisposta ao prazer que  é essa mulher, tão sedenta, tão resolvida com suas questões carnais, confunde com o jeito misto de  “fatale” e noviça , simples que cultiva as coisas mais raras que só o bom humor e a disposição podem oferecer.
 No segundo ato, depois da descoberta da carne despida dos desejos desconhecidos é chegada à hora de exercitar, testar colocar o selo de qualidade e ver que realmente é tudo o que foi pensado e mais um pouco, que  de fato se trata de uma mulher, que se conhece, que conhece seu corpo milimetricamente e sabe cada efeito que causará o toque nos lugares “premiados” e que não necessariamente são os mais vulgares e conhecidos.
Em um terceiro tempo, ela se desmonta(começa então o jogo real) e se torna uma “Mulher Lula” que abraça todos os problemas, centraliza e por incrível que pareça consegue resolver os tumultos inesperados de seus parceiros,  só não consegue resolver as pendências dos dias e dias de atraso, do acumulado de tarefas, e da pilha  dos “ontens” que   ainda ficarão  pra amanhã. É claro na altura do campeonato ela já não é mais tão atrativa, até por que não é normal os homens sentirem desejos por suas próprias Mães. E fatidicamente é isso que ela se torna ao sexo oposto... O sexo feminino personificado na palavra materna paciência  ou a que sempre dá um jeito, cheio de afazeres que nunca sobra tempo pra despertar o desejo inicial o “inatingível”, mas  tão tolos quanto homens eles não percebem que ela  é ambidestra nessa questão consegue diferenciar os atos dos fatos, e não junta o fator ao produto, acredita que pode ser solicita com seu parceiro sem ser apenas vista como um favor a fazer, e acredita no inacreditável tão besta quanto feminino, acha que nesses momentos pode ser vista como uma mulher de fibra,  uma pessoa e suas muitas qualidades e defeitos mas que é mulher completa que não se faz metade para o sexo oposto.
Na prorrogação ela analisa taticamente todo o jogo e pontua as falhas, descobre que os jogadores, não gostam do “completo” preferem as metades, que os atacantes preferem dividir a bola com uma adversária, que a companheira serve apenas pra passar a bola, que as mães servem só pra recolher o meião  fétido e as roupas suadas, e detalhe entregá-los limpos para a próxima partida.  E nesse zero a zero partimos para os pênaltis, tão tenso quanto injusto é para ela a pior parte de todo esse jogo, pois sabe da qualidade do seu jogo, das suas hábeis táticas quase sempre infalíveis e esse quase embaça todo o largo caminho que existe entre ela  o ponto da cobrança  e o goleiro. E  toda preparação, todos os belos gols feitos até ali, todas as classificações dramáticas, todos os problemas resolvidos nos quarenta e cinco minutos do o terceiro tempo?(que se aplica somente nesse jogo).  O calculismo é a única saída e muitas vezes o que foi desperdiçado entre  uma falta e outra é o que determina a maneira como o pênalti será cobrado. Em uma partida o jogador explode os músculos do corpo, condiciona o limite, corre, trava divide parte pra prorrogação trabalha a mente pra suportar o corpo e chega a temida hora das cobranças, o mesmo numero de chutes pra cada time, erros e acertos serão devidamente cobrado, cada um sabe o quanto se distancia ou se aproxima do troféu.
Ela sempre fica com a ultima cobrança, sempre está nas mãos ou nos pés dela decidir, e já tão fadigada de todo o campeonato sente o peso em suas costas, se acertar será a gloria  todo o time correrá para abraçá-la, e será dela o direito de levantar a taça, caso perca  terá apenas sua imagem divulgada tristonha com as mãos na cabeça decepcionada, por que sabe que jogou melhor que o time oposto que foi definitivamente mais elaborada e mais completa mas perdeu pelo ultimo lance.
O lance mais covarde!
Assim comparo o relacionamento, tão instigante, tão empolgante cheio de travas e desenrolares tão confusos quanto fáceis, mas não mais que de repente vira  uma coletiva cheia de perguntas sem explicações e respostas. O pior é que apenas no replay é possível enxergar todos os erros ridículos e mesquinhos, e só revendo todas as barbaridades é que se percebe a falta covarde que não foi apitada, o cartão vermelho que não saiu do bolso do filho da mãe do juiz, mas o mais desagradável desse replay são os fatos escondidinhos que acontecem e que só o jogador do sexo oposto sabe das traições do próprio companheiro de time.  Tendo todas os erros  pontuados  sobram as dores, as fadigas musculares, mas exclusivamente no caso dela sobra uma cara idiota no espelho do banheiro ora  se perguntando por que? Ora firmando bem feito!
Neste caso especifico sobra uma dor infinda pelo simples fato de acreditar  que esse era o seu mais brilhante campeonato.
Sobra uma manchete que já fez parte da sua vida inúmeras vezes;
“ QUAAAAAASSSEEEE.................MAS NÃO FOI DESSA VEZ QUE ELA LEVANTOU A TAÇA”

Com toda licença   as minhas Joanas, Macabéas, Otavios e tantos outros personagens da autora Clarice Lispector que trago para  o meu infinito particular, dando a eles o meu inteiro, metaforizando a minha vidinha tão ridícula quanto intensa, este não é um texto  do qual eles fazem parte, este é um texto  da personagem mais insana de todos os que tenho o prazer e o conflito de conviver a personagem  que vos escreve é a  jogadora desta partida.
 Gabriela Rodrigues Farias


"Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar."

sábado, 12 de março de 2011

Para as loucuras de Joana!
L'amour Est Un Oiseau Rebelle...

Macabéa não entendeu o valor, enxergou apenas o peso da frase por não dominar o idioma pensou, que poderia ter  aproveitado o tempo ocioso para aprender, mas que agora já era tarde demais pra saber. Deixe ser o que quiser, pois Macabéa não arde, Joana sim .
Joana sentiu um  súbito peso na face norteado por cinco dedos das suas próprias mãos, no chão não colocou a mão na face, como faz os que sentem dor, mas olhou nos olhos do agressor sem lacrimejar, já longe de si imaginou ter a criadagem a seu dispor, pediu a Bruna sua governanta que preparasse seu drinque, dispensou Ferruccio seu motorista sentou-se na varanda em  sua velha e confidente poltrona já mofada pela umidade, colocou Callas na vitrola  e degustou cada teor alcoólico, imaginou estar presenteado todos  os atos da apresentação, sentiu  a dor da soprano em cada altivez de sua voz, fechava os olhos franzia a testa levava a mão direita  ao peito e curvava o corpo como se aquilo lhe causasse uma dor latente.
Surtou silenciosamente ao ouvir;
"L'amour est enfant de bohème,
Il n'a jamais connu de loi:"
Silêncio... Nenhum  movimento, amainada chorou  por pura raiva de estar chorando agora ouve  "Mon cœur s'ouvre à ta voix" e pelas poucas vezes que externou seu sentimentalismo, chorou como nunca havia chorado, indagou-se, julgou-se;
- Meu Deus o Senhor que é tão poderoso me afaste desta dor...
Aguardou a resposta de Deus. Irritou-se
-Coisa estranha que nunca aparece, e que eu nunca consigo sentir, que amor é esse?
A relação de Joana com o Altíssimo nuca foi das melhores, não acreditava em sua existência, questionava o sofrimento das pessoas, questionava como o amor do Senhor permitia esse sofrimento.
-Claro que nunca saberá me responder, vê sofrimento pior que esse meu acesso de bestilidade sentimental e não faz nada.  Absolutamente nada... Silêncio e a voz da musica toma a varanda e o quarto que pela primeira vez sentiu a luz do dia e a brisa da chuva,  a voz da cantora externava a dor e Joana repetia;
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse...Bruna acostumada com as sandices de sua patroa estranhou, geralmente tão silênciosa e sorrateira consigo  mesma Joana gritava feito louca tentando acompanhar Maria Callas, pensou nas comparações e descobriu  por que se identificava tanto com Callas, ambas tiveram um átimo de vida e antes de morrem já estavam mortas, só precisavam sumir como matéria. Bruna pergunta:
- A senhora deseja algo mais?
-Ridícula! Joana grita e repete com o dedo apontado para a governanta que consternada olha para o chão.
- Ridícula é isso que eu sou, assume serviçal fiel e apática. Sabe o que eu estou ouvindo?
Bruna ainda mais assustada responde;
- Não senhora.
- Claro que não sabe! é notório   a falta do saber em você.
Joana se enxerga em Bruna e diz;
-Eu sou você, mas você nunca será eu... Nunca! Gritava e a governanta sem saber o que escutar com os gritos de Callas  e de Joana, com o  copo de vidro na mão da sua patroa enlouquecida, com a quantidade de cigarros acesos, com o porte deselegante de uma mulher que pra ela sempre foi um espelho de postura "La mamma morta", Bruna tenta discretamente sair do quarto, mas Joana segura a sua mão;
-Espera! Sente comigo essa dor, sente a dor que essa música me causa.... Parte o meu coração, que apesar de duro pulsa e sente como o seu, o que nos diferencia é que eu não choro todos os dias por todas as coisas junto todas elas e choro uma vez só na vida.
Bruna  sente as lágrimas  escorrerem a face e sentada na poltrona intocável de sua patroa vê o que jamais imaginou, Joana próstata em seu colo com a cabeça em seus joelhos, declarando sua fraqueza, que durante todos os sete anos de prontidão nunca foram vistos. Bruna surpresa  enxerga em Joana uma mulher forte e claro diferente das outras, mas, uma mulher. Joana continua a falar.
-Uma vez só na vida, Santo e imaginável Deus uma vez só na vida, eu me permito chorar que é pra não te dar o gosto de me ver suplicar muitas vezes, e pode contar isso aos seus promotores, para que  no dia do meu juízo final eles me acusem sem piedade.
- Me perdoa ó ser inatingível por não acreditar.
Joana sentiu-se tão incapaz de merecer  o perdão, que se levantou do colo de Bruna pediu que ela se retirasse  sem muitas palavras e que isso fosse esquecido.
Olhou-se no espelho limpou as lagrimas dos olhos, com movimentos raivosos pensou em Otávio, e na covarde atitude de magoar que os homens exercem com extrema facilidade. Lembrou de cada frase escrita no bilhete que por acaso achou em suas vestes que dizia “ Sabes quão exuberante és?  Sinto minha boca  salivar excessivamente ao te olhar”  tão  vulgar quanto dolorido Joana sabia que essas palavras não eram para ela , e sim para Tatiana amante de Otávio, oculta e antiga, mais um dos casos do único homem por qual Joana sentia ardor na face ao pensar.
Como uma Fênix  deitou de tão fadigada e apesar da demora dormiu, e inconscientemente rezou a Deus;
- Senhor faça com que eu esqueça essa maldita noite  chuvosa de março, e que amanhã a minha alma prolixa e arguta se encha de afazeres para não recordar um só instantes das palavras lidas . Que o meu corpo se canse antes do espaço reservado aos meus achaques, que se possível eu tenha uma força extrema para não abrir a boca.
Senhor que a Macabéa que existe em mim me sufoque , pois só assim suportarei contraditoriamente a ultima e sorrateira traição.Que o amanhã me faça renascer das cinzas  de hoje.
Com ardor Gabriela Rodrigues Farias. Joana Macabéa Lispector