Perdoem esta tola que vos escreve, e que contraditoriamente e amargamente, a forte e imbatível, foi vencida pela sordidez bestiais dos sentimentos. Ela sempre é a mesma para todos os seguidores do sexo oposto. Um Clássico com direito a prorrogação e pênaltis.
Primeiro é inatingível, desejada com um ardor extremo e como não seria? Têm formas apetitosas, seios fartos e boca carnuda e quente que desperta a imaginação de todos os companheiros tão homens quanto sórdidos. De fato imaginam sobre maquina predisposta ao prazer que é essa mulher, tão sedenta, tão resolvida com suas questões carnais, confunde com o jeito misto de “fatale” e noviça , simples que cultiva as coisas mais raras que só o bom humor e a disposição podem oferecer.
No segundo ato, depois da descoberta da carne despida dos desejos desconhecidos é chegada à hora de exercitar, testar colocar o selo de qualidade e ver que realmente é tudo o que foi pensado e mais um pouco, que de fato se trata de uma mulher, que se conhece, que conhece seu corpo milimetricamente e sabe cada efeito que causará o toque nos lugares “premiados” e que não necessariamente são os mais vulgares e conhecidos.
Em um terceiro tempo, ela se desmonta(começa então o jogo real) e se torna uma “Mulher Lula” que abraça todos os problemas, centraliza e por incrível que pareça consegue resolver os tumultos inesperados de seus parceiros, só não consegue resolver as pendências dos dias e dias de atraso, do acumulado de tarefas, e da pilha dos “ontens” que ainda ficarão pra amanhã. É claro na altura do campeonato ela já não é mais tão atrativa, até por que não é normal os homens sentirem desejos por suas próprias Mães. E fatidicamente é isso que ela se torna ao sexo oposto... O sexo feminino personificado na palavra materna paciência ou a que sempre dá um jeito, cheio de afazeres que nunca sobra tempo pra despertar o desejo inicial o “inatingível”, mas tão tolos quanto homens eles não percebem que ela é ambidestra nessa questão consegue diferenciar os atos dos fatos, e não junta o fator ao produto, acredita que pode ser solicita com seu parceiro sem ser apenas vista como um favor a fazer, e acredita no inacreditável tão besta quanto feminino, acha que nesses momentos pode ser vista como uma mulher de fibra, uma pessoa e suas muitas qualidades e defeitos mas que é mulher completa que não se faz metade para o sexo oposto.
Na prorrogação ela analisa taticamente todo o jogo e pontua as falhas, descobre que os jogadores, não gostam do “completo” preferem as metades, que os atacantes preferem dividir a bola com uma adversária, que a companheira serve apenas pra passar a bola, que as mães servem só pra recolher o meião fétido e as roupas suadas, e detalhe entregá-los limpos para a próxima partida. E nesse zero a zero partimos para os pênaltis, tão tenso quanto injusto é para ela a pior parte de todo esse jogo, pois sabe da qualidade do seu jogo, das suas hábeis táticas quase sempre infalíveis e esse quase embaça todo o largo caminho que existe entre ela o ponto da cobrança e o goleiro. E toda preparação, todos os belos gols feitos até ali, todas as classificações dramáticas, todos os problemas resolvidos nos quarenta e cinco minutos do o terceiro tempo?(que se aplica somente nesse jogo). O calculismo é a única saída e muitas vezes o que foi desperdiçado entre uma falta e outra é o que determina a maneira como o pênalti será cobrado. Em uma partida o jogador explode os músculos do corpo, condiciona o limite, corre, trava divide parte pra prorrogação trabalha a mente pra suportar o corpo e chega a temida hora das cobranças, o mesmo numero de chutes pra cada time, erros e acertos serão devidamente cobrado, cada um sabe o quanto se distancia ou se aproxima do troféu.
Ela sempre fica com a ultima cobrança, sempre está nas mãos ou nos pés dela decidir, e já tão fadigada de todo o campeonato sente o peso em suas costas, se acertar será a gloria todo o time correrá para abraçá-la, e será dela o direito de levantar a taça, caso perca terá apenas sua imagem divulgada tristonha com as mãos na cabeça decepcionada, por que sabe que jogou melhor que o time oposto que foi definitivamente mais elaborada e mais completa mas perdeu pelo ultimo lance.
O lance mais covarde!
Assim comparo o relacionamento, tão instigante, tão empolgante cheio de travas e desenrolares tão confusos quanto fáceis, mas não mais que de repente vira uma coletiva cheia de perguntas sem explicações e respostas. O pior é que apenas no replay é possível enxergar todos os erros ridículos e mesquinhos, e só revendo todas as barbaridades é que se percebe a falta covarde que não foi apitada, o cartão vermelho que não saiu do bolso do filho da mãe do juiz, mas o mais desagradável desse replay são os fatos escondidinhos que acontecem e que só o jogador do sexo oposto sabe das traições do próprio companheiro de time. Tendo todas os erros pontuados sobram as dores, as fadigas musculares, mas exclusivamente no caso dela sobra uma cara idiota no espelho do banheiro ora se perguntando por que? Ora firmando bem feito!
Neste caso especifico sobra uma dor infinda pelo simples fato de acreditar que esse era o seu mais brilhante campeonato.
Sobra uma manchete que já fez parte da sua vida inúmeras vezes;
“ QUAAAAAASSSEEEE.................MAS NÃO FOI DESSA VEZ QUE ELA LEVANTOU A TAÇA”
Com toda licença as minhas Joanas, Macabéas, Otavios e tantos outros personagens da autora Clarice Lispector que trago para o meu infinito particular, dando a eles o meu inteiro, metaforizando a minha vidinha tão ridícula quanto intensa, este não é um texto do qual eles fazem parte, este é um texto da personagem mais insana de todos os que tenho o prazer e o conflito de conviver a personagem que vos escreve é a jogadora desta partida.
Gabriela Rodrigues Farias
"Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar."